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A leitura nem sempre começa pelo livro. Às vezes, ela nasce de um gesto simples, de uma escuta atenta ou de uma forma diferente de convidar alguém a participar de uma história. Foi em um desses momentos cotidianos da sala de aula que Otaviano Gomes dos Santos Neto, professor do Colégio Positivo – Londrina, compreendeu de forma profunda o impacto que a leitura pode ter na vida de um aluno.
Durante uma de suas aulas, Otaviano percebeu que um estudante evitava qualquer atividade que envolvesse leitura. Quieto e discreto, ele tentava passar despercebido. Em vez de insistir no modelo tradicional, o professor decidiu mudar a abordagem. “Em vez de forçá-lo a ler, convidei a turma para uma leitura vivida. Transformamos a história em algo dinâmico, com vozes, gestos e emoções”, relembra o professor.
A mudança no clima foi gradual, mas significativa. Enquanto Otaviano narrava a história com entusiasmo, alterando o tom de voz para cada personagem e envolvendo toda a turma, algo começou a acontecer. Aos poucos, o aluno antes distante passou a acompanhar a narrativa com atenção. O que antes era silêncio deu lugar ao interesse — e até a um sorriso discreto, percebido pelo professor.
Nos encontros seguintes, a transformação ficou ainda mais evidente. O aluno começou se aproximando apenas como observador. Depois, aceitou participar fazendo a voz de um personagem. Até que, naturalmente, passou a pedir para ler pequenos trechos da história. “A leitura, que antes era um desafio para ele, virou um momento esperado”, conta Otaviano.
A confirmação do impacto veio em uma frase simples, dita ao final de uma das atividades, mas que marcou profundamente o professor: “Professor, eu achei que ler era chato… mas agora parece que eu estou dentro da história.”
Mais do que um avanço pedagógico, aquele momento revelou o poder da leitura como experiência, capaz de despertar emoções, construir confiança e abrir novas possibilidades de expressão. Para Otaviano, ali ficou claro que ser Embaixador (mesmo que honorário) da Leitura vai muito além de incentivar o hábito de ler. “Entendi que incentivar a leitura é abrir portas para que cada aluno descubra novos mundos, novas emoções e, principalmente, novas versões de si mesmo”, reflete o educador.
Desde então, o professor segue levando histórias para a sala de aula com ainda mais intencionalidade e estratégia. Cada livro, narrativa e leitura compartilhada carregam a convicção de que, em meio a uma página, pode existir uma transformação esperando para acontecer.
A história de Otaviano reforça o espírito da Liga da Cultura do Grupo Positivo: pessoas que, por meio de atitudes sensíveis e intencionais, constroem experiências que deixam marcas reais.